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Aula de artes, futsal, leitura e psicóloga: como é o atendimento a adolescentes na Fundação Casa de Sorocaba

Aula de artes, futsal, leitura e psicóloga: como é o atendimento na Fundação Casa O silêncio atrás de paredes é interrompido pelo barulho dos portões de...

Aula de artes, futsal, leitura e psicóloga: como é o atendimento a adolescentes na Fundação Casa de Sorocaba
Aula de artes, futsal, leitura e psicóloga: como é o atendimento a adolescentes na Fundação Casa de Sorocaba (Foto: Reprodução)

Aula de artes, futsal, leitura e psicóloga: como é o atendimento na Fundação Casa O silêncio atrás de paredes é interrompido pelo barulho dos portões de ferro e cadeados e revela sonhos que, de alguma maneira, foram interrompidos. Na Fundação Casa de Sorocaba (SP), muitos jovens tentam retomar sonhos e reconstruir a vida. O g1 visitou as instalações da fundação. Logo na entrada, há uma porta grande, de espessura larga. Ela se abre, o segurança pede alguns documentos e anuncia a chegada das visitas. Entre tantas paredes altas, um pequeno jardim com flores coloridas começa a dar suavidade ao cenário. 📲 Participe do canal do g1 Sorocaba e Jundiaí no WhatsApp Durante uma conversa, Luciana Monteiro explica que há quatro centros de atendimento diferentes, cada um com a sua função. Ela é diretora de um deles, que é conhecido como Casa I. "Quando o adolescente comete algum ato infracional, ele vai para a delegacia e o Poder Judiciário entende que ele deve ser atendido inicialmente pela Fundação Casa Sorocaba 4, que funciona como atendimento inicial ou liberação direta para a família", comenta a diretora. Pequeno jardim na porta de saída da Fundação Casa em Sorocaba (SP) Fabrício Rocha/g1 Depois de ser admitido na Casa 4, o adolescente pode ser encaminhado para um dos outros três centros. "Cada casa tem um perfil de adolescente. Esse perfil geralmente é pautado pelo número de entradas na Fundação Casa", explica. Segundo a diretora, as Casas 1 e 2 são para jovens na primeira internação. Os que já passaram pela fundação são atendidos na Casa 3. Os casos de reincidência, de acordo com ela, normalmente envolvem jovens que já estavam no centro. Em situações específicas, o adolescente vai para outra cidade, mas isso depende do perfil de cada um. Conforme apurado pelo g1, a maior parte dos atendidos é mais jovem, principalmente meninos de 12 e 13 anos, enquanto adolescentes de 18 anos são atendidos apenas em casos excepcionais. "Atendo meninos que estão cumprindo medida de sanção também. Alguns saem da internação e pegam liberdade assistida; mesmo em liberdade, continuam sendo acompanhados por nós e pelo juiz. Caso deixem de cumprir alguma regra estabelecida, podem voltar a ser internados por até 90 dias", explica Luciana. Luciana Monteiro, diretora da Casa Sorocaba I Fabrício Rocha/g1 Equipe multidisciplinar No centro, os adolescentes cumprem a medida socioeducativa determinada pela Justiça, conforme a avaliação do juiz sobre cada caso. O acompanhamento é feito dentro da própria unidade, que oferece toda a estrutura necessária para a execução da medida, com o apoio de uma equipe multidisciplinar formada por profissionais de diferentes áreas, que atuam no cuidado, na orientação e no desenvolvimento dos adolescentes durante o período de internação. "Cada adolescente tem um plano individual de atendimento, elaborado pela equipe junto ao jovem e à família, no qual são definidas as metas da medida socioeducativa. A família acompanha todo o processo e participa da avaliação, sendo sua presença recomendada na construção desse plano", explica. Um dos adolescentes atendidos pela instituição durante a aula de pintura e desenho Fabrício Rocha/g1 A unidade oferece visitas semanais aos domingos, com duração de quatro horas, período durante o qual cada adolescente pode receber até quatro visitantes. A equipe observa e conversa para identificar quais vínculos familiares ou afetivos precisam ser fortalecidos. "É durante esse momento que conseguimos identificar onde é necessário fortalecer vínculos, quando houve ruptura com a família e ela acaba perdendo o poder de conduzir o menino para algo positivo, evitando que ele cometa atos infracionais. Tudo isso é discutido em conjunto", explica. Há também uma escola dentro da unidade. Ela faz parte da rede estadual e segue o mesmo currículo das escolas do estado. A principal diferença é que as salas são menores, o que facilita o aprendizado, especialmente para adolescentes que tiveram dificuldades ou abandonaram a escola fora da instituição. Corredor com os quartos da Fundação Casa em Sorocaba (SP) Fabrício Rocha/g1 "Ele começa a retomar a rotina escolar; os professores também passam por avaliação para atendê-los. Temos todo esse cuidado, não só com os internados, mas também com os professores. E a possibilidade de isso render bons frutos é grande. Vimos que muitos meninos melhoraram e superaram as dificuldades do dia a dia escolar", comenta emocionada. Além das aulas, os adolescentes participam de atividades culturais no contraturno, como oficinas de arte e cultura e passeios a museus, por meio de projetos e parcerias. Também podem praticar esportes. Essas ações garantem acesso à cultura e ajudam no aprendizado, inclusive na alfabetização de jovens que não tiveram essas oportunidades fora da instituição. "As lacunas que ficam abertas ganham uma segunda chance de serem preenchidas. Refletir sobre o que fizeram e tentar voltar para fora melhor do que estavam. Nós não queremos que eles fiquem aqui, mas, sim, que retornem à vida normal e tenham consciência do que aprenderam", explica. A diretora explica que os aprendizados ajudam a preparar os jovens para o mercado de trabalho. A unidade oferece um programa de acompanhamento após a saída, caso o adolescente queira. Quadra de futsal da Fundação Casa em Sorocaba (SP) Fabrício Rocha/g1 Cuidado com a saúde emocional O acompanhamento psicológico faz parte da rotina dos adolescentes durante todo o tempo que eles passam na unidade. As sessões são individuais ou em grupo. Quando há demanda maior, a unidade busca apoio externo. "A gente busca a rede, os Caps Infantojuvenis, para aqueles adolescentes que necessitam de acompanhamento maior", comenta. A ideia é que o atendimento aconteça, sempre que possível, na cidade de origem do adolescente. "A ideia é que ele tenha vínculo com esse equipamento de saúde", explicou. Esse cuidado também continua após a saída, a fim de garantir que o psicológico dos jovens esteja bem restabelecido. "Se ele quiser continuar no Caps, a gente acompanha nesse processo", explica. 'Quando eu sair, vou me estruturar' José durante leitura na biblioteca da instituição Fabrício Rocha/g1 Em outra sala, com a cabeça baixa, José (nome fictício) fala sobre o dia a dia na instituição. Ele está há dez meses na Fundação Casa de Sorocaba. "A gente acorda cedo, toma café e, depois, participa das atividades do dia, como convivência, esportes, atividades pedagógicas e leitura na biblioteca. Eu gosto de ler, estudar e aprender coisas novas", conta. Entre suas leituras favoritas estão os gibis. O menino também conta que é apaixonado por esportes. Ao g1, ele disse que sonha em estudar para se tornar cabeleireiro ou chef de cozinha. "Esse período tem sido bom para eu amadurecer, pensar melhor e não voltar a fazer coisas erradas lá fora. Aqui cuidam bem da gente, são educados, dão conselhos e nos ensinam a manter uma boa conduta, sair mais educados e aprender a tratar as pessoas com respeito." "Quando eu sair, vou me estruturar e morar com meu pai. Vou continuar estudando e aproveitar a bolsa que ganhei no Senac para fazer cursos até os 21 anos. Quero fazer cabeleireiro ou gastronomia, porque gosto de cozinhar. Aqui dentro não deu para começar ainda por não ter 16 anos, mas lá fora, quando eu completar 18, vou iniciar o curso de gastronomia", finaliza. Porta de saída da instituição em Sorocaba Fabrício Rocha/g1 Meninos atendidos pela Fundação Casa em Sorocaba (SP) assistindo a televisão Fabrício Rocha/g1 *Colaborou sob supervisão de Júlia Martins Veja mais notícias da região no g1 Sorocaba e Jundiaí VÍDEOS: assista às reportagens da TV TEM