cover
Tocando Agora:

China defende cessar-fogo imediato na guerra no Oriente Médio

China defende cessar-fogo imediato na guerra do Oriente Médio A China defendeu um cessar-fogo imediato na guerra. O governo chinês cobrou o fim das ações mi...

China defende cessar-fogo imediato na guerra no Oriente Médio
China defende cessar-fogo imediato na guerra no Oriente Médio (Foto: Reprodução)

China defende cessar-fogo imediato na guerra do Oriente Médio A China defendeu um cessar-fogo imediato na guerra. O governo chinês cobrou o fim das ações militares e declarou que é preciso evitar que a turbulência no Oriente Médio cause ainda mais impacto na economia global. Nesta sexta-feira (6), a porta-voz Mao Ning citou o Estreito de Ormuz - que é uma das rotas comerciais mais importantes do mundo, por onde passa um quinto de todo petróleo exportado, e que conecta os produtores do Oriente Médio com os principais mercados da Europa, das Américas, mas principalmente da Ásia, que recebe 80% do petróleo que passa por ali. A China declarou que o Estreito de Ormuz serve ao interesse estratégico de toda a comunidade internacional e que, por isso, é preciso dar segurança e estabilidade à região. “A China importa 70% do petróleo que ela consome. O Oriente Médio é mais ou menos a metade do que ela importa, ou seja, é um parceiro extremamente relevante, e ele é afetado diretamente pela guerra na questão do Estreito de Ormuz”, explica David Zylbersztajn, professor do Instituto de Energia da PUC do Rio. Em menos de dois meses, a China viu dois parceiros estratégicos sob ataque direto dos Estados Unidos: o regime de Nicolás Maduro, na Venezuela, e agora o regime dos aiatolás, no Irã. A China está diante de um dilema: buscar novos caminhos econômicos ou aumentar as tensões com os americanos para defender os aliados e seus próprios interesses. A China já começou a sentir os efeitos do cenário externo. Na quinta-feira (5), o primeiro-ministro anunciou a nova meta de crescimento anual, que será de 4,5% e 5%. É a primeira vez, desde o início da série histórica que começou em 1991, que essa meta ficará abaixo dos 5%. Ainda assim, ela está entre as mais robustas, comparada às principais economias do mundo. O primeiro-ministro não mencionou diretamente a guerra no Oriente Médio, mas afirmou que os riscos internacionais estão aumentando. Li Qiang disse que o ritmo da economia global permanece lento e que o multilateralismo e o livre comércio estão sendo afetados severamente. China defende cessar-fogo imediato na guerra no Oriente Médio Jornal Nacional/ Reprodução Diante desse novo cenário, a China anunciou que vai gastar 7% do Produto Interno Bruto com defesa. É bem mais do que a média da União Europeia — em torno de 2% — ou da aliança militar do Ocidente, a Otan, que em 2025 concordou em aumentar para 5% esses gastos. Por ano, os chineses injetam perto de US$ 300 bilhões em defesa e, agora, o governo também decidiu investir mais em inteligência artificial. Mas a guerra no Oriente Médio e a dependência do petróleo importado podem atrapalhar os planos de Pequim. Os analistas estimam que a China tenha, atualmente, 900 milhões de barris guardados numa reserva estratégica - o equivalente a cerca de três meses de importação. “A China está sendo, de alguma maneira, prejudicada pela paralisia econômica da região. Pode parecer paradoxal, mas a China pode ser um bom mediador nesse processo por interesse próprio”, diz David Zylbersztajn. E quem pode sair fortalecida nesse cenário é a Rússia. Nesta sexta-feira (6), o Kremlin declarou que já aumento a demanda por petróleo russo e citou gigantes asiáticos como a China e a Índia. LEIA TAMBÉM China anuncia meta de crescimento entre 4,5% a 5%, a menor em décadas Comissão dos EUA acusa China de operar instalações com potencial uso militar na América Latina, incluindo locais no Brasil