Haddad confirma indicação de Guilherme Mello para a diretoria do BC, mas diz que decisão ainda não foi tomada por Lula
Fernando Haddad durante coletiva sobre megaoperação contra o PCC Jorge Silva/Reuters O ministro da Fazenda, Fernando Haddad, informou nesta terça-feira (3) q...
Fernando Haddad durante coletiva sobre megaoperação contra o PCC Jorge Silva/Reuters O ministro da Fazenda, Fernando Haddad, informou nesta terça-feira (3) que realmente indicou ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) o nome do atual secretário de Política Econômica da pasta, Guilherme Mello, para a diretoria do Banco Central. Entretanto, ele acrescentou que a decisão ainda não foi tomada pelo presidente da República sobre o assunto. E criticou o vazamento da informação pela imprensa. Segundo Haddad, a indicação foi feita há três meses. "De lá para cá, não voltamos a conversar. E três semanas atrás, ele [Lula] disse para mim que ia nos chamar para conversar, mas ele não tomou a decisão. O vazamento, se a pessoa quis ajudar, não ajudou. Se quis atrapalhar uma sugestão, ela agiu mal para os envolvidos", declarou Haddad, durante entrevista à Band News. Divulgada neste fim de semana pela imprensa, a informação de que o atual secretário de Política Econômica da pasta, Guilherme Mello, foi indicado ao BC repercutiu mal entre analistas do mercado financeiro, receosos de que seu perfil considerado desenvolvimentista (a favor de um corte mais rápido dos juros) possa prejudicar o controle da inflação. Veja os vídeos que estão em alta no g1 Guilherme Mello tem graduação em Ciências Sociais pela Universidade de São Paulo (USP) e Ciências Econômicas pela Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUC-SP). Também é mestre em Economia Política pela PUC-SP, e doutor em Ciência Econômica pela Universidade Estadual de Campinas. O ministro Haddad informou que também indicou a Lula, para a diretoria do BC, o professor catedrático da Universidade de Cambridge, no Reino Unido, Tiago Cavalcanti. Este possui Graduação em Ciências Econômicas pela Universidade Federal de Pernambuco (1995), mestrado (1997) e doutorado (2001) pela Universidade de Illinois. Guilherme Mello, secretário de política econômica do Ministério da Fazenda, durante encontro de ministros de finanças do G20 André Ribeiro/TheNews2/Estadão Conteúdo Mudanças no BC As vagas para a diretoria do Banco Central, cuja principal missão é controlar a inflação, tendo como instrumento a taxa básica de juros da economia, foram abertas no início deste ano quando os dois últimos diretores indicados por Jair Bolsonaro, Renato Gomes (Organização do Sistema Financeiro) e Diogo Guillen (Política Econômica), deixaram seus cargos. Com a autonomia do Banco Central, aprovada pelo Congresso Nacional e sancionada em 2021, o presidente e os diretores da instituição são indicados pelo presidente da República para mandatos de quatro anos, não podendo ser substituídos antes do prazo. A atual diretoria do Banco Central já conta com maioria de integrantes indicada pela atual gestão petista desde o início de 2025. Até então, as críticas às decisões sobre a taxa de juros por parte do presidente Lula, principalmente ao ex-chefe da instituição, Roberto Campos Neto, eram mais agressivas. Mas até hoje integrantes do governo criticam o Banco Central. No fim do ano passado, o presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo não quis fazer comentários sobre as indicações dos futuros diretores do Banco Central. "Tenho por orientação não entrar na prerrogativa do presidente [Lula, responsável por indicar os nomes]. Perfil, quando, o presidente vai comunicar isso. Não cabe ao BC falar sobre prerrogativa do presidente. Mesmo que a gente participe [do debate], quem vai falar sobre isso é o presidente", informou Galípolo, na ocasião. Diretoria de Política Econômica O cargo de diretor de Política Econômica, cuja vaga foi aberta no começo deste ano, é considerado chave na fixação da taxa básica de juros da economia, que está no maior nível em quase 20 anos. Na semana passada, o BC indicou que iniciará o corte do juro em março, no próximo encontro do Copom - colegiado que determina o patamar da Selic. O diretor de Política Econômica tem o papel de apresentar, nas reuniões do Copom, a situação macroeconômica do país, cenários e projeções, e, também, recomendações sobre as diretrizes de política monetária e propor diretamente um nível para a taxa de juros. Ele também coordena a elaboração do Relatório de Política Monetária, das notas do Copom e dos Comunicados das decisões do colegiado que determina o nível da taxa de juros. Além disso, participa, em conjunto com o presidente do BC, das apresentações e entrevistas trimestrais sobre a política de juros.