Investigadores avaliam que entregar dados de celulares a Toffoli pode comprometer outras investigações ligadas ao Master
Investigadores do caso Master consideram que será difícil cumprir a ordem do ministro Toffoli, de mandar ao Supremo os dados colhidos em todos os celulares su...
Investigadores do caso Master consideram que será difícil cumprir a ordem do ministro Toffoli, de mandar ao Supremo os dados colhidos em todos os celulares submetidos a perícia nas apurações, sem que isso comprometa o andamento de outros inquéritos relacionados. A nova determinação de Toffoli, revelada pelo blog da colunista Julia Duailibi, veio após o diretor da Polícia Federal, Andrei Rodrigues, entregar ao presidente do STF, Edson Fachin, um relatório sobre a perícia realizada no celular de Daniel Vorcaro, dono do Banco Master. Segundo as investigações, o nome de Toffoli foi citado em mensagens contidas no aparelho. O conteúdo dessas mensagens não foi tornado público. O ministro é o relator do caso Master no STF, responsável por conduzir o andamento das investigações. Nos bastidores, há receio entre os agentes da PF de que a ordem de Toffoli “trave tudo”. As perícias em celulares apreendidos e as informações extraídas nesse processo são consideradas fundamentais para o prosseguimento de um amplo rol de investigações que se cruzam e são interdependentes. “Ele [Toffoli] só quer falar: ‘manda para cá e para tudo’. Só isso”, disse um investigador. “Difícil entender a decisão”, comentou outro. Entre as apurações que podem ser afetadas, segundo agentes envolvidos, estão: tentativa de compra do banco Master pelo BRB, sob suspeita de fraude; uso fraudulento de fundos de investimentos pela Reag; manobras do Grupo Fictor, que tentou comprar o Master e pediu recuperação judicial; o possível envolvimento de pessoas com foro privilegiado para tentar interferir nas investigações e no processo de liquidação do Master. O inquérito que trata da tentativa da compra do Master pelo BRB, banco público do governo do DF, está em estágio avançado, com perspectiva de possível conclusão até meados de março. A reação é parecida com a dos policiais há pouco menos de um mês quando, em outra decisão considerada controversa, Toffoli determinou que todos os bens, documentos e materiais apreendidos pela PF na segunda fase da Operação Compliance Zero, que mira Vorcaro e negócios do Master, fossem lacrados e armazenados na sede da Suprema Corte. O magistrado, depois, voltou atrás da decisão. Grupo Fictor e o caso Master O Grupo Fictor, um conglomerado que inclui uma empresa do ramo de alimentos e uma de investimentos, apareceu no caso Master como interessado em comprar o banco na véspera da liquidação pelo Banco Central, em novembro. Naquela mesma ocasião, Vorcaro foi preso. Atualmente, ele está em prisão domiciliar, sob monitoramento. O negócio tinha participação de investidores dos Emirados Árabes e chegou a ser anunciado, mas acabou revertido com a liquidação do Master. No início deste mês, em um movimento que chamou a atenção de investigadores, duas empresas do Grupo Fictor entraram com pedido de recuperação judicial no Tribunal de Justiça de São Paulo. O grupo negocia o pagamento de mais de R$ 4 bilhões em dívidas para credores. A PF, que já indiciou administradores do grupo por fraudes financeiras, apura uma série de condutas por parte do grupo, como a suspeita de gestão de fraudulenta de instituição financeira.