Reag e Banco Master já estavam na mira do BC desde 2024; entenda investigação
Relações do Banco Master com Reag estavam na mira do BC desde 2024 As relações entre a Reag e o Banco Master já estavam na mira do Banco Central desde 2024...
Relações do Banco Master com Reag estavam na mira do BC desde 2024 As relações entre a Reag e o Banco Master já estavam na mira do Banco Central desde 2024. Entre as irregularidades, os técnicos do BC identificaram o uso de fundos administrados pela Reag para inflar artificialmente o valor do patrimônio do Master. Informações reunidas pelo Banco Central mostram que o Banco Master e a Reag montaram um esquema de operações combinadas. Para que o dinheiro circulasse, o esquema era baseado em uma operação entre essas instituições, em que os dinheiro circula por vários fundos. Mas o modelo usado foi diferente. Ele serviu para fazer com que o dinheiro fosse sendo inflado em valores absurdos entre fundos previamente organizados pra dar impressão de consistência e de segurança. Foi isso o que o Banco Master fez. No dia 22 de abril de 2024, o Banco Master fez um empréstimo de R$ 459 milhões para a empresa Brain Realty Consultoria. Dois dias depois, às 13h53, essa empresa transferiu quase todo o dinheiro, R$ 450 milhões, para um fundo de investimento da própria Brain Realty - um fundo administrado pela gestora Reag. E aí começou a ciranda. No mesmo dia, às 15h22, esse fundo Brain Cash usou todo o dinheiro - R$ 450 milhões, para investir e comprar parte de um outro fundo - chamado de D Mais. Três minutos depois, foi a vez do fundo D Mais transferir o mesmo valor para mais um fundo - o High Tower, também administrado pela Reag. Essa parte da operação foi para pagar a compra de títulos do antigo Banco do Estado de Santa Catarina, o BESC. Para explicar essa parte, vamos ter que voltar no tempo. O BESC foi encerrado e parte dele incorporado pelo Banco do Brasil em 2008. No entanto, alguns títulos do BESC continuaram no mercado. O fundo High Tower comprou uma parte desses papeis. Pagou R$ 850 milhões. Mas registrou no próprio balanço que esses mesmos títulos valiam bem mais - R$ 10 bilhões acima do que foi pago, inflando o patrimônio do fundo de forma artificial. Isso fez o High Tower conseguir em 2024 uma rentabilidade superior a 10,5% de milhões. "Claro que isso é uma simulação, não é verdadeiro. O que você está fazendo, você esta fingindo que vale o valor total quando que na verdade o valor de negociação é muito abaixo desse valor final. Com isso, se esse valor consta no patrimônio da instituição, o patrimônio da instituição, ele cresce de 800 para 10 bilhões, se ela cresce pra 10 bilhões, ela pode fazer muito mais coisas, é uma instituição muito maior, só que é tudo falso. Ele no final fica enrolando o regulador e colocando preço que não é verdadeiro", explica Luiz Fernando Figueiredo, ex-diretor do Banco Central. Ainda em 2024, o fundo High Tower vendeu parte desses títulos supervalorizados para o fundo D Mais. Esse fundo registrou que pagou mais de R$ 6 bilhões por eles. O relato do Banco Central não detalhou o que foi feito com o restante do valor. E aí voltamos à ciranda. Uma fração desse pagamento foi feita com os R$ 450 milhões do Master - que foi mostrado no início da reportagem. Aí aumentou o pinga-pinga em fundos. Às 15h26 minutos, o fundo High Tower transferiu o mesmo valor de R$ 450 milhões a um novo fundo, chamado de Anna - também administrado pela Reag. Um minuto depois, os R$ 450 milhões começaram a ser fracionados em vários outros fundos. E no mesmo dia - 24 de abril - quase todo esse valor chegou ao fundo Astralo 95 e ao Growth 95, ambos da Reag. Às 17h, os dois fundos aplicaram R$ 450 milhões em títulos de renda fixa chamados CDBs - do Banco Master. Ou seja, em cerca de 3 horas, os R$ 450 milhões percorreram dez fundos. E retornaram ao próprio Banco Master, dois dias depois do início dessa ciranda. Na prática, segundo especialistas, essa volta serviu para aumentar de modo artificial o valor de títulos ao longo da cadeia de fundos. E, ao voltar para o Master como um CDB - um tipo de captação mais comum - mascarava o risco das operações assumidas pelo banco, ajudando o conglomerado a passar a impressão de que possuía liquidez, tinha recursos suficientes para honrar compromissos. "Então eu faço essa historinha toda e dai no final esse fundo investe num CDB no Master. Então, na verdade, é toda uma conversa mole, então não tem uma volta, para conseguir fazer com que esse valor ele pareça ser um valor muito maior e, na verdade, ele acaba voltando para mim, nunca saiu do banco na prática. Ele só sai para eu conseguir supervalorizando ativos de maneira a mostrar que tenho muito mais ativos, muito mais patrimônio e depois dinheiro volta como se não tivesse saído", explica Luiz Fernando Figueiredo, ex-diretor do Banco Central. A clínica Mais Médicos declarou que todas as operações são regulares e que está colaborando as investigações. A Reag não se manifestou. Reag e Banco Master já estavam na mira do BC desde 2024 Reprodução/TV Globo